quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Um arrepio bem hipócrita!


Nestes dias em que o mundo valoriza mais os sentidos do que a razão e em que a Igreja Evangélica aprecia mais as emoções do que o conhecimento, tenho observado um comportamento bastante comum nas igrejas, ao qual dei o nome de “fenômeno do arrepio”.
A situação é a seguinte: A pessoa passa a semana inteira longe dos caminhos do Senhor, seja por negligência ou por vida de evidente pecado. No domingo vai à Igreja e, no período de cânticos (erroneamente chamado “período de louvor”, porque louvor deve ser encontrado em todo o período de culto) ela se emociona e sente um arrepio. Pronto. “Tive uma experiência com Deus”, “Eu senti Deus me tocar”, “o louvor foi uma bênção”, conclui. Volta à sua semana de negligência e pecados, mas com a consciência anestesiada, pois a experiência do domingo mostrou que Deus está com ela.

Isso tem acontecido. Não é difícil ver pessoas levantando as mãos nos cultos, chorando, se emocionando e, não raro, perceber que algumas destas não têm vida com Deus. Estão ali apenas em uma catarse espiritual. Deus não se agrada disto. Ele mostra em sua Palavra que o culto não é um momento à parte de nossa vida, mas que tem total ligação com ela. Jesus ensinou no Sermão do Monte: “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.” (Mt 5.23,24). O que fazemos durante a semana tem total ligação com o culto comunitário. Este é o ápice, o momento alto de nossa adoração. E, se é o ápice, significa que a adoração não começa no domingo, mas ela vem de uma semana inteira de adoração, através de nossa obediência aos caminhos do Senhor. Romanos 12. 1: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” Este apresentar é contínuo. Indica o nosso viver diário.

Por meio do profeta Isaías Deus condenou o comportamento do povo que passava a semana pecando e depois ia se apresentar diante dEle, como se nada houvesse acontecido. Veja:

“De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? —diz o SENHOR. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene. As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas.” (Is 1.11-17)

Voltanto ao arrepio, Deus quer de nós mais que isso, quer obediência. Se emoção fosse sinal de aprovação de Deus, grande parte da população estaria no seu momento mais santo quando vê a bandeira nacional sendo asteada ao som do Hino Nacional. Deus quer nosso coração. Deus quer submissão à sua vontade. Deus quer obediência.

Temos a aprovação de Deus quando a nossa vida exala o bom perfume de Cristo (2Co 2.15); quando Deus olha para nós e, à semelhança de seu Filho, se compraz (Mt 3.17); quando olha para a sociedade e nos distingue como piedosos (Sl 4.3).


Busquemos isto!
Rev. Ageu Magalhães

Fonte: Genizah.com

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